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As pontes. As benditas pontes! 7 maneiras de construí-las

Quando escrevi ‘Síndrome da Solidão’, há algumas semanas, sugeri:…Precisamos aprender a construir pontes. Pontes que nos levem até onde desejamos chegar, especialmente do outro lado de nós mesmos. … Não temos as pontes, as benditas pontes. Caramba! Nem tentamos construí-las…

E para minha surpresa, descobri que não fui suficiente. Não fui mesmo. Vocês todos que me escreveram têm razão! Fico muito feliz por saber que meu artigo não é lido apenas como um texto ‘bonitinho’, mas como um conjunto de palavras que tem de servir para algo prático, eficiente!

Muito bem. É exatamente este o meu desejo quando dedico algumas horas de minha semana para ‘cumprir minha missão’ como costumo encarar esta tarefa. Então, considerei fantástica a pergunta de meus leitores: ‘mas como construir as pontes?!?’

Durante todos esses dias, toda vez que estava indo para ou vindo de algum lugar, enquanto dirigia, aproveitava para mergulhar neste questionamento. Foi um exercício incrível e muito proveitoso. E eu falava para mim mesma: ‘Ok, Rosana… e agora? Como construir as pontes?!? Quero respostas claras, que remetam cada leitor a uma transformação de fato. Nada de palavras soltas que os levem somente a refletir. Agora você precisa de know-how e não de meras teorias’!

Então, pensei: ‘Nada mais óbvio – precisamos de atitude para construir o que quer que seja. A ordem é uma só: mãos à obra’! É isso. Construir é verbo de ação. Exige trabalho, planejamento e disposição. Mas logo me lembrei de que não fomos ensinados a enxergar os sentimentos como resultado de nossas atitudes. Insistimos em acreditar que sentimentos são como ‘mágica’, que não temos nenhum controle sobre eles.

Contudo, enquanto acreditarmos nisso, nada poderemos construir, porque apostaremos que construído está… por obra do destino, sem que nada possamos fazer para chegar do outro lado do abismo… aquele abismo que nos separa de nós mesmos e nos aprisiona na margem da solidão…

Então, antes de levantarmos da cadeira e arregaçarmos as mangas para, enfim, construirmos as benditas pontes, precisamos acreditar que podemos realmente construí-las. Para isso, vou arriscar uma analogia. Em princípio, todos nós deveríamos ter todos os órgãos de nosso corpo funcionando perfeitamente. No entanto, por conta de más formações, maus hábitos, má alimentação ou quaisquer outros motivos, adoecemos. Diante da doença, sentimos dor. Motivados pelo desejo de não mais sentirmos dor, procuramos um médico.

Exames feitos, resultados em mãos, diagnóstico conhecido, pegamos a tão esperada receita de como nos livrarmos da dor. Passamos na farmácia, compramos o danado do remédio e o tomamos conforme as recomendações médicas. Se nos sobrar disciplina, retornamos ao médico no final do tratamento para verificar se está tudo Ok com o órgão adoecido e causador de toda esta seqüência de atitudes. Estou certa?!? Você já passou por isso?!? Creio que sim!

Pois bem, o que quero dizer é que, incomodados por uma dor física, nos apressamos em construir a ponte que for necessária para nos sentirmos curados. Marcamos consulta. Comparecemos em dia, hora e local marcados. Seguimos as instruções médicas e só relaxamos quando, enfim, a dor vai embora.

Porém, quando a dor é na alma, quando o incômodo afeta o coração (não o órgão, mas aquele que metaforicamente definimos como a casa de nossos sentimentos), continuamos agindo exatamente como se nada precisássemos fazer. Pensamos: ‘se a dor veio, ela vai embora. É assim e pronto’. Nos limitamos a reclamar, chorar, brigar com alguém que acreditemos ser o responsável por ela e… só!

Assim, vão se instalando dores que cavam abismos, que abrem buracos dentro da gente, fazendo com que fiquemos de um lado da margem sem saber como atravessar. Abismos que nos separam de nós mesmos, colocando-nos num lugar onde temos como velhas companheiras a Sô e a Sá… Não as conhece?!? Conhece sim!!! São elas a Solidão e a Saudade. Mas tem também o medo, a raiva, a ansiedade, o ciúme, a falta de coragem para amar e deixar ser amado…

Eis o grande momento da escolha. Ficar aí, deste lado da margem, sentado na beirada e lamentando por não saber como chegar do outro lado… ou… construir as pontes. Talvez agora você argumente: ‘mas não sou arquiteto, nem engenheiro civil, nem tampouco pedreiro. Não sei construir pontes’.

E eu lhe diria que mesmo que fosse, não é desse tipo de conhecimento que você precisa. Você precisa querer. Querer de verdade passar para o outro lado, o de dentro, do que você realmente mora. Onde estão todos os mapas dos quais você precisa para chegar onde quiser, para encontrar quem quiser.

E aí voltamos à pergunta principal: como?!? Muito bem! Tomando atitudes. Sem atitudes nenhuma ponte poderá ser construída. Contar suas dores não basta. Chorar não basta. Sentir-se só e sem saber o que fazer para conseguir criar laços não basta. Tudo isso é sintoma e reação sintomática, mas não é atitude. Não constrói. Não muda. Não leva você desta margem até a outra. Não faz com que você chegue ao caminho de dentro.

Quais atitudes?!? Existem várias e tudo depende do tamanho e da profundidade do seu abismo. Requer um mínimo de autopercepção, mas ainda assim vou elencar aqui atitudes das mais simples às mais complexas. Adéque a construção de sua ponte de acordo com a dimensão do seu abismo.

1. Leia livros que possam quebrar seus paradigmas e abrir a sua mente para caminhos que até então você não havia conseguido enxergar. Existem muitos bons livros. Basta entrar numa grande livraria e procurar, ou aceitar indicação de amigos. Mas olha… não basta comprar. Tem de ler. Tem de praticar. Atitude!!!

2. Faça cursos ou assista palestras de profissionais que abordem temas referentes à dor que aumenta o seu abismo. Através da sabedoria alheia você também pode descobrir ferramentas internas que lhe possibilitem a construção de sua ponte. Mas olha… não basta ouvir. Tem de colocar em prática o que aprendeu. Atitude!!!

3. Ofereça-se para um trabalho voluntário. Ajudar a quem precisa faz você descobrir uma capacidade de amar e ser amado que até então desconhecia, pode apostar! Participar de pastorais da saúde, em igrejas. Distribuir sopa para moradores de rua. Divertir crianças num orfanato. Ensinar um esporte para crianças carentes. Contar história ou simplesmente ouvir pessoas idosas num asilo. Escolhas que podem transformar a sua vida de maneira inacreditável… Mas olha… não basta fazer isso e depois achar que existem dois mundos ou dois você. Transfira para sua rotina diária todo sentimento bom que puder apreender enquanto pratica amor incondicional. Atitude!!!

4. Movimente-se. Coloque ação em sua vida. Saia da monotonia. De que maneira?!? Escolha a que melhor lhe pareça: ioga, natação, ciclismo, dançar com os amigos, cinema, uma viagem, meditação, florais, massagem, reiki, dieta, reeducação alimentar, voltar a estudar… Decida-se pelo melhor jeito de construir a sua ponte. Mas faça algo, pelo amor de Deus. Atitude!!!

5. Comece uma psicoterapia. Peça indicação de profissionais confiáveis para amigos. Procure um profissional com o qual você se identifique. Se não gostar do primeiro, tente outro. Não desista logo de cara, porque começar um processo terapêutico é, muitas vezes, extremamente doloroso, pois nos tira da cômoda posição de ‘vítimas’ e nos coloca na eficiente posição de ‘responsáveis’. Eu indico! Mas olha… não basta falar, falar e falar… é preciso realmente se abrir para ouvir verdades sobre você, por mais horríveis que elas lhe pareçam. Só assim o processo de construção da ponte será possível. Atitude!!!

6. Alimente sua espiritualidade. Não importa qual seja a sua crença, mas tenha uma que lhe devolva a sensação de proteção, de algo maior, de missão de vida. A fé é capaz de promover mudanças enormes na vida de uma pessoa. Vá à igreja, ao templo, ao salão, à sinagoga, ao centro, ao culto ou simplesmente contemplar o nascer ou pôr-do-sol… e encontre a grandeza da Criação. Ter um motivo nobre para estar aqui pode se transformar numa ponte perfeita para a sua travessia. Além disso, agradeça, agradeça e agradeça. Você pode até não saber – ainda – pelo que está agradecendo, mas esteja certo de que motivos não lhe faltam. Aos poucos, você irá descobri-los, um a um. Claro que, para isso, precisa tomar atitudes!!!

7. Consulte um psiquiatra. Está sentindo-se sem forças para qualquer uma das alternativas anteriores. Só tem vontade de dormir, chorar ou ficar sozinho?!? Então, procure um médico que possa lhe explicar o que está acontecendo com seus níveis hormonais. Nosso prazer e vontade de viver são motivados por substâncias químicas chamadas de neurotransmissores, tais como endorfina e serotonina. Se você está depressivo, um psiquiatra poderá identificar o nível desta depressão e receitar medicamentos adequados para que seu corpo produza níveis equilibrados desses neurotransmissores. Mas olha… não basta ir ao médico, tomar o remédio por duas semanas, melhorar um pouquinho e abandonar o tratamento. A depressão volta pior quando não é tratada direitinho. Atitude!!!

Não pretendia me estender tanto. Mas também não poderia falar de construções, pontes e transformações de forma superficial. Espero ter conseguido motivá-lo, mesmo sabendo que você ainda pode ter outras maneiras de construir sua própria ponte.
Certamente não escrevi nada de novo. Mas as soluções são mais óbvias do que supomos, na grande maioria das vezes. Não é de fórmulas mágicas que precisamos, mas de um passo depois do outro.
No mais, desejo-lhe apenas coragem, para que possa tomar a atitude mais pertinente e, enfim, fazer a sua travessia.

Rosana Braga é Palestrante, Jornalista, Consultora em Relacionamentos
e Autora dos livros “O PODER DA GENTILEZA” e “FAÇA O AMOR VALER A PENA”, entre outros.